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No início, agradecemos a Deus por todas as vitórias e conquistas, pelos desafios superados e pelos avanços obtidos ao longo dos 40 anos de existência da organização Centro de Educação Integral Margarida Pereira da Silva (CEMAR). Hoje, celebramos vidas transformadas, trajetórias percorridas e o sucesso em reduzir a mortalidade infantil, ascensão social de jovens pobres em outras esferas sociais, resultado do trabalho da creche fundada em 1976.

Este projeto, idealizado em memória de Margarida Pereira da Silva e do casal alemão Heriberto e Gerti, Dieter e Ortrud, entre muitos outros amigos e colaboradores, teve início há aproximadamente 50 anos com a fundação da creche Pequeno Príncipe em 1976 e o CEMAR em 1986, que anteriormente era conhecido como Clube do Menor. Marcou o início de um trabalho alternativo no Brasil, em um período de transição rumo à redemocratização.

Apesar das dificuldades, era essencial garantir a proteção da infância no Brasil, especialmente em tempos de fome e miséria e a criminalização da sociedade e dos pobres. Com esperança e amparo, o CEMAR oferece aos jovens a oportunidade de educação e formação profissional, além de diversas ações socioeducativas promovidas pela organização. A filantropia e a ação social, muitas vezes vistas como soluções paliativas para suprir necessidades imediatas, vão além disso. Com a luta da organização CEMAR, integrada ao Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, lutamos pela aprovação do ECA (Lei 8.069/90), construímos base e formulamos a criação de conselhos setoriais, exemplo da luta pela criação do CMDCA (Conselho Municipal de Defesa da Criança e do Adolescente) e do Conselho Tutelar, Conselho Municipal de Assistência Social.

O impacto do trabalho do CEMAR também se reflete no fortalecimento e fomento do processo de criação e empoderamento das comunidades quilombolas de Pombal (PB), além da formação para a qualificação e melhoria dos Conselhos Tutelares, CMDCAs e a qualidade dos serviços na área da infância e adolescência, fortalecendo associações entre os grupos sociais.

A creche Pequeno Príncipe e a organização CEMAR atuaram como uma base que dignificava a vida de crianças, adolescentes e suas famílias, situadas no auge da pirâmide da desigualdade social. Muitas crianças, que vivenciavam desnutrição e eram frequentemente invisibilizadas por um Estado que não respeitava os direitos humanos, encontram apoio nesta trajetória de 40 anos da entidade.

Finalizamos com uma reflexão de Clodovis Boff: “Amar o povo é amar o povo-sujeito e jamais o povo-objeto… Querer bem ao povo é querer o seu bem. É lutar por sua igualdade… É, em suma, buscar sua autonomia.” Esse é o legado do CEMAR: amor, transformação e luta pela justiça social.

 

 

Por José Ribeiro, ex-menino e diretor